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Porto Seguro é a 4ª cidade mais violenta do Brasil e lidera ranking nacional de mortes por intervenção policial

Levantamento do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca o município na 4ª posição nacional em mortes violentas intencionais e aponta Porto Seguro como líder em mortes decorrentes de intervenção policial.

Atualizado em 23/07/2026 às 11:07, por Flávio Moreira.

Rua de um bairro periférico em Porto Seguro. (Créditos/Imagens: Reprodução/Acervo/Redação)


Porto Seguro voltou a ocupar posição de destaque em um dos indicadores mais preocupantes da segurança pública brasileira. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), apontam que o município do extremo sul da Bahia é a 4ª cidade mais violenta do Brasil entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, registrando 71,2 Mortes Violentas Intencionais (MVI) por 100 mil habitantes em 2025.

O levantamento considera como Mortes Violentas Intencionais os casos de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. O ranking é elaborado a partir de informações oficiais das secretarias estaduais de segurança pública e consolida um panorama da violência nos municípios brasileiros.

À frente de Porto Seguro aparecem apenas Maranguape (CE), com taxa de 100,3 mortes por 100 mil habitantes, Eunápolis (BA), com 85,1, e Maracanaú (CE), com 80,7. Logo atrás de Porto Seguro estão Simões Filho (BA), Jequié (BA), Caucaia (CE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Santa Rita (PB) e Juazeiro (BA), completando a lista das dez cidades mais violentas do país.

Além da quarta colocação no ranking nacional de violência letal, Porto Seguro também aparece em outro dado que chama atenção. Segundo o Anuário, o município registra a maior taxa de mortes decorrentes de intervenção policial do Brasil, com 32,3 ocorrências por 100 mil habitantes, índice superior ao de qualquer outra cidade brasileira analisada pelo estudo.

A publicação destaca que o crescimento da violência em municípios do interior tem relação com a expansão e disputa entre facções criminosas, que passaram a atuar de forma mais intensa em regiões estratégicas para o tráfico de drogas e armas. Porto Seguro e Eunápolis, por exemplo, são apontadas entre as cidades onde a disputa por território tem contribuído para o aumento dos índices de homicídios.

Especialistas também alertam que o enfrentamento à criminalidade exige ações integradas entre os governos federal, estadual e municipal, combinando inteligência policial, investimentos em investigação, fortalecimento das forças de segurança e políticas públicas voltadas à prevenção da violência, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade.

Os números reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre segurança pública na região, que possui grande importância econômica para a Bahia devido ao turismo, mas enfrenta desafios relacionados ao avanço da criminalidade organizada. O cenário apresentado pelo Anuário evidencia que, além das ações repressivas, será fundamental investir em políticas sociais e estratégias de longo prazo para reduzir os índices de violência e garantir mais segurança à população.